Notícias | Lula defende “nova Revolução Industrial” para tornar país competitivo

Em reunião que retomou os trabalhos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), presidente reforçou necessidade de acelerar processo de recuperação do setor


Após sete anos inoperante, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), criado em 2004, foi reativado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (6), com o foco na necessidade de acelerar a reindustrialização do país por meio da elaboração de uma nova política para o setor, de caráter inovador, sustentável e socialmente inclusivo.


Na reunião, realizada no Palácio do Planalto, com a presença de membros do CNDI, entre os quais ministros e representantes do setor produtivo e dos trabalhadores, Lula salientou que seu governo “não tem tempo a perder” e que não voltou a governar “para fazer o mesmo” que já fez.


“Voltamos para tentar fazer as coisas diferentes e fazer uma nova Revolução Industrial neste país para a gente ser competitivo de verdade. A hora é agora”, declarou. Ele acrescentou que isso “está nas nossas mãos fazer isso” e que da parte do governo, “a gente vai criar as condições”.


O presidente disse, ainda, que “serão três anos e meio em que ninguém vai poder se queixar de que o governo está atrapalhando”. Ele acrescentou que “se hoje for votada a reforma tributária, será a primeira vez na história do país que a gente faz uma reforma tributária num regime democrático — a última foi no regime militar. Estamos fazendo em um regime democrático, negociando com todo mundo e ela vai ser aprovada”.


Ele também criticou a existência de restrições para o financiamento dos demais entes federativos. “Não se empresta dinheiro para prefeitura nem para o estado porque alguém decidiu que não empresta. Se o estado ou a prefeitura tem capacidade de endividamento, por que não emprestar? Por que o estado faz o papel de bandido? Por que se tomou quase R$ 600 bilhões de volta do BNDES que, ao invés de investir, devolveu ao Tesouro, para o Tesouro fazer o que? O que foi feito com todo o dinheiro que deixou de ser investido neste país?”, questionou.


O presidente também disse que “acabou aquela bobagem de se o Estado tem que ser forte ou o Estado tem que ser fraco. O Estado tem que ser o Estado necessário para poder dirigir e induzir o crescimento econômico do país. ‘Ah, o Estado não pode se meter’. Quando houve a crise de 2008, quem salvou a economia? Foi o Estado. Quando houve agora a crise da pandemia, quem salvou de ser uma mortalidade (ainda maior)? Foi o Estado (…). O Brasil precisa dos dois, do Estado e do setor privado e precisa formar profissionais mais qualificados se a gente quiser verdadeiramente voltar a ser um país industrializado”.

 

Outro ponto tratado pelo presidente foi a distribuição de renda através do crescimento econômico. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza, miséria, prostituição, violência, o que vemos em todos os países pobres. Agora, pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de renda, menos pobreza, mais poder de consumo, significa melhorar a vida da sociedade que é o que nós precisamos fazer”.


Lula lembrou que “com as medidas que já tomamos até aqui, o dinheiro está circulando, está correndo, se ele chegar lá embaixo, não vai ser aplicado na Bolsa, não vai comparar dólar, ele vai voltar para o comércio. Quando ele volta para o comércio, ganha o comércio, a indústria, o emprego, ganha todo mundo. Não precisa ser doutor honoris causa para saber disso. O povo precisa ter acesso aos recursos”.


Por fim, disse estar otimista porque “o Brasil tem a chance que jamais teve”. E completou: “O fato de ter ficado exilado do mundo nesses últimos seis anos deu ao mundo uma sede, uma necessidade do Brasil; precisamos tirar proveito do fato de que o Brasil não tem contencioso com ninguém. O Brasil gosta de todo mundo e todo mundo gosta do Brasil. E é por isso que não quero me meter na guerra da Ucrânia e da Rússia, minha guerra é aqui, contra a fome, o desemprego, conta a pobreza e a desindustrialização”.


Retomada do CNDI

Há anos, e sobretudo no período mais recente, o Brasil vem enfrentando um processo de declínio precoce em sua indústria, com a produção voltada cada vez mais a itens primários e pouco investimento em ciência, tecnologia e inovação, o que é essencial para agregar valor aos produtos brasileiros, tornar o segmento mais competitivo, o país menos dependente e impulsionar o desenvolvimento nacional.


Fazem parte do CNDI 20 ministros, além do presidente do BNDES e 21 conselheiros representantes da sociedade civil, entre entidades industriais e representantes de trabalhadores. O colegiado é vinculado à Presidência da República e presidido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.


Ao longo dos próximos meses, o CNDI se debruçará sobre a missão de elaborar uma política industrial, tendo em vista necessidades sociais como a segurança alimentar e nutricional; a prevenção e o tratamento de doenças; infraestrutura, moradia, saneamento e mobilidade sustentáveis; soberania e defesa nacionais; empresas competitivas em tecnologias digitais em segmentos estratégicos; e descarbonização da indústria e ampliação de cadeias associadas à transição energética e à bioeconomia.

Fonte: Portal Vermelho