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MUNICÍPIO DE AREAL/RJ.

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História de Areal/RJ.

Com a decadência do Ciclo do Ouro nas Minas Gerais, os exploradores e colonizadores trataram de buscar novas atividades econômicas para sua expansão e localização.

 A cultura do café era, então, a atividade que mais se mostrava como promissora, mas as terras de Minas não eram as mais apropriadas para essa lavoura especializada.

 As melhores eram as terras paulistas e fluminenses. Assim, grande contingente de portugueses e de brasileiros se deslocou em direção à Província do Rio de Janeiro, na direção do norte fluminense, atravessando a região arealense.

 Na passagem pelas terras arealenses, vários desbravadores se deixavam ficar, na expectativa de aproveitando da passagem natural, que por ali se daria na demanda do norte fluminense, dedicar-se ao abastecimento das tropas e tropeiros, iniciando uma prestação de serviços, de comércio e de lavouras de suprimento, para abastecer e negociar com tropas passantes, progredindo, assim, a permanência dos colonizadores e desbravadores na região.

 À margem esquerda do rio Piabanha havia uma parada ou estação para diligência que, também, servia para troca de animais de tração no percurso. Era uma estação que atendia viaturas em trânsito, em paradas para compras e abastecimentos necessários, na ligação que se dava por Areal entre as localidades circunvizinhas. Era estação inicial e terminal da linha de diligências entre Areal a Três Rios (então Entre - Rios).

 No local da atual Igreja havia uma praia de areia, um belo areal, fronteiro à casa de parada das viaturas, carroças, diligências e outros de tração animal.

 Quando os que nelas viajavam eram indagados em que ponto pararia ou desembarcavam, os circunstantes, por não saberem e não existir um nome definido para o lugar, diziam que o seu destino era uma parada na qual havia um areal. O que foi se repetindo e, espontaneamente, criando pelo uso e pela indicação que dava a denominação da Estação ou Parada do Areal, origem primeira do topônimo "Areal". Antes de ser definida como 7º distrito de Paraíba Sul, em 17 de dezembro de 1895 com o nome oficial de Areal e com a mesma denominação como o 4º distrito de Três Rios, seu nome era o de Barra do Rio Preto.

 No dia 04 de junho de 1900 termina o tráfego das diligências e começa a funcionar a Estrada de Ferro.

No entanto o núcleo inicial de Areal foi a Fazenda de São Silvestre do Rio Preto.

Tudo começou quando Manoel Vieira Afonso e sua mulher Dona Catarina Josefa de Jesus viviam na Fazenda dos Vieira, em Sardoal, onde sem data certa, entre 1770 e 1775 nasceu o seu filho José Vieira Afonso. A partir de 1800 a Fazenda de Sardoal ficou entregue aos seus filhos e o casal passou a residir na Fazenda de Córrego Seco, de sua propriedade. (O Córrego Seco e o atual rio Palatino que se junta ao rio Quitandinha, para adiante haver o encontro de suas águas com o rio Piabanha que corta as terras de Areal).

 A sede do Córrego Seco prospera com a administração de Manoel Vieira Afonso. Quantas vezes o já casado tenente, depois capitão, a seguir Major por final Sargento-Mor José Vieira Afonso, com sua família, passou dias festivos no lar paterno.

Foi na Sede da Fazenda do Córrego Seco que Dom Pedro I esteve em sua primeira viagem por terra do alto da Serra da Estrela, antes chamada Serra do Mar.

 Em outra viagem, Dom Pedro I dirigia-se para Corrêas, onde tentaria, pelo clima saudável, melhorar a saúde de sua filha, a Princesa Dona Paula. A estada na localidade fez com que Dom Pedro I se encontrasse pela região, tentando comprar as terras da Fazenda de Padre Corrêa, o que não conseguiu, adquirindo, então a Fazenda do Córrego Seco, que a sua altura dos fatos já pertencia ao sargento - Mor José Vieira Afonso, tendo pagado o Imperador a quantia de vinte contos de réis, conforme lavrada no dia 06 de fevereiro de 1830.

 Esse foi o inicio, a primeira atitude para a fundação da futura cidade de Petrópolis, a concretizar-se, no reinado do Imperador D. Pedro II.

 Após a venda da Fazenda do Córrego Seco a Dom Pedro I, o Sargento-Mor José Vieira Afonso volta todas as suas atenções para a sua Fazenda de São Silvestre do Rio Preto, que ganha, então grande desenvolvimento. A Fazenda São Silvestre, foi subdividida pelo proprietário e por ele mesmo administradas. A Fazenda de São Silvestre foi o núcleo da expansão, núcleo original da região rural e urbana do Areal de hoje.

 A região, o conglomerado urbano-rural que se formou em torno da Fazenda de São Silvestre veio por nomenclatura criada pelo povo no decorrer de mais de cem anos, a ser chamada, popularmente, Fazenda Velha, constituindo, atualmente, um bairro de Areal.

 Das antigas construções nada mais restam que o cemitério, pois que, a capela atual, não é a original. A de hoje, foi a segunda a ser construída no mesmo local, sendo, pois, a terceira capela de São Silvestre, já que a primeira, erigida pelo Sargento-Mor foi edificado no local onde hoje existe o chamado Cemitério de Cima, o Cemitério de Baixo corresponde ao cemitério primitivo construído por José Vieira Afonso.

O Sargento-Mor residiu na sua Fazenda de São Silvestre, em Areal, onde nasceram seus filhos, e ali faleceu em 26 de janeiro de 1852, tendo os seus restos mortais sido sepultados, ao pé do Cruzeiro, no cemitério que mandara construir em sua Fazenda (Atual Cemitério de Baixo), 27 de janeiro de 1852.

 Após a sua morte, a Fazenda de São Silvestre passou às mãos de Joaquim Vital Vieira, que no decorrer do tempo, a subdividiu em outras menores.

 Numa dessas Glebas menores, a que corresponde ao centro da cidade de Areal, pertencia à Família wiechers, que doou a área de terras para a Igreja local, sendo construído, assim, o templo primitivo da cidade. A escritura se encontra no livro de Tombo da Freguesia de Cebolas.

 No ano de 1931, o Bispo Dom José Pereira Alves, retira Areal das freguesias de São José, Bemposta e Cebolas, erigindo Areal em freguesia de Nossa Senhora das Dores, com direito a Igreja Matriz, Casa Paroquial e tudo o mais concernente. A Freguesia assim criada compreendia todo o território de Areal emancipado e mais áreas adjacentes. A Igreja de Nossa Senhora das Dores de Areal frutificou, gerando o primeiro padre arealense, que veio a ser monsenhor João Quintela Heider, mas que não teve a ventura de ser vigário em sua terra.

 A velha Matriz, fruto da benemerência da Família Wiechers, estava velha, muito desgastada e erodida, correndo perigo de desabamento por motivo de um grande formigueiro de saúvas que a tudo corroia e era resistente às tentativas várias de extirpação. Esse motivo levou o templo a ser interditado, em 26 de março de 1955, por laudo técnico do Engenheiro Dr. Alberto Chimelli. Posteriormente, a interdição foi confirmada por laudo do Engenheiro Dr. Guilherme Pedro Epinghaus, sobre os alicerces da Igreja, sendo então, decidida a sua demolição.

 Demolida a velha matriz, a Igreja passou a funcionar provisoriamente, no salão do prédio de propriedade do Almirante Belfort Guimarães, ainda no ano de 1955, a partir do dia 22 de agosto. Embora a igreja tenha passado a funcionar ali, a Capela de santa Rita de Cássia foi elevada a Matriz provisória, nela passando a funcionar a Igreja na plenitude de suas atividades.

 Numa dessas Fazendas houve um Quilombo, durante o período da escravidão, próximo à Fazenda Engenhoca, num local denominado Cachoeirinha. Nesse local ainda podem ser encontrados restos do cemitério dos escravos que ali habitavam.

 Quando a Estrada União Indústria chegou em Areal em 1861 a Ponte de Alberto Torres, belo e cuidadoso trabalho de engenharia,já havia sido inaugurado em 1860 pela mesma empresa que estava construindo a estrada.

 Areal uma década depois, já possuía então status de município com uma boa casa bancária e mais tarde também um hotel de qualidade para visitantes - O Hotel Valladas.

 A estrada ferro chega em 1900 e nessa data termina o tráfego das diligências, que possuía até então um barracão para guardar os carros perto do atual Colégio Mariano Procópio.

 A CBEE - Companhia Brasileira de Energia Elétrica, pela represa que construiu retendo as águas do rio Preto para adução à sua usina geradora, no ano de 1949, propiciou aumento na contratação de mão de obra na época, grande movimentação e ativação várias de setores econômicos para, por final, estabilizar as suas atividades e vir a substituir a antiga Empresa Arealense de Energia Elétrica nos serviços locais de luz e força. Foi uma grande obra, é uma empresa de grande porte, atualmente com o nome de CERJ-Cia. de Eletricidade do Estado do Rio a servir, com a muito, de símbolo para o desenvolvimento e o progresso regional, com o seu "raio de luz", em logotipo.

 Na noite de 31 de março e em dias que se seguiram, Areal experimentou uma nova e inusitada vida, tempos da Revolução de 64, dias em os quais a localidade teve presente tropas em risco de embates pela legalidade do então governo com as forças levantadas em revolução que veio a terminar vitoriosa com a deposição do governo federal, dias depois, terminando e a fortíssima expectativa que se apoderara dos arealenses na iminência dos estrondos dos vôos rasantes dos aviões de guerra a sobrevoarem o lugar e a possibilidade, pela estratégia da localidade, de se desenvolverem encontros de batalha entre as tropas em desajuste por suas motivações legais ou revolucionárias. Veio a paz e a calma aos arealenses afligidos por esse episódio que marcou a vida brasileira e levou Areal às notícias mais graves do noticiário pela imprensa nacional.

 A educação formal chegou em Areal com a Escola Estadual Nº 9, na rua Afonsina,depois, com a Escola Típica Rural, na Fazenda Velha, e posteriormente, com o Grupo Escolar Mariano Procópio. A seguir, completando a Educação Secundária foi criado o Ginásio Machado de Assis. A Escola Típica Rural, criação do emérito professor Afro Amaral Fontoura, hoje, é a Escola Estadual Municipalizado Joaquim Vital Vieira.

 O desenvolvimento urbano arealense só foi possível graças à visão de crescimento e desenvolvimento contida nas iniciativas de aberturas de loteamentos que possibilitaram o surgimento de um número grande de construções e deram vida a novos bairros. O Senhor Manoel Cabral de Mello abril o loteamento que possibilitou o surgimento do Bairro Delicia; o Sr. Ayres Pinto propiciou loteamento do qual surgiu o bairro Santa Rita; o Sr. David Carneiro abriu o loteamento que provocou o surgimento da urbanização nas cercanias do Ginásio Machado de Assis e do Bairro Amazonas; a Sra. Gaby Vinhas Fernandes abriu o loteamento que se transformou no Bairro Gaby.

 Grande importância para Areal teve o trajeto da Estrada União Indústria e a Estrada Rio-Baia. Estas duas estradas atravessavam a localidade pelo centro urbano. Nos bares e restaurantes, postos de serviços e comércio que iam surgindo paravam os carros pesados, automóveis, ônibus e caminhões dando a Areal um movimento muito grande, incremento econômico, melhorias várias e desenvolvimento urbanístico. Entretanto, o auge de tudo isso foi interrompido com a abertura da nova Estrada Rio-Juiz de Fora, em duas pistas de rolamento e velocidade, passando ao largo, por fora do centro urbano, modificando tudo na vida arealense que experimentou grandes alterações e dificuldades, a pouco e pouco superadas pela criatividade e esforço dos empresários locais.

 A Estrada nova nos trouxe melhoria e modernidade em comunicações e transportes mas infligiu necessidades e esforços grandes que resultaram, afinal, em novas estratégias permanentes para o desenvolvimento e equilíbrio da vida local.

 Foram três as tentativas de emancipação para a região arealense. As duas primeiras, em 1957 e em 1963, resultaram infrutíferas; a terceira, a partir de 1990, foi vitoriosa, surgindo o Município de Areal.

 No dia 30 de agosto de 1957, em Areal, foi realizada uma reunião com a finalidade de construir uma Comissão que se deveria encarregar das atividades relativas a uma campanha pública pela emancipação, que, nesse caso, não seria somente de Areal, abrangeria a região limítrofe, incluída as áreas da Posse e São José do Rio Preto. Estiveram presentes o Sr. Octávio Quintella, os Drs. Antônio Viçoso Jardim e João Veiga Soares e ainda o Deputado Estadual Pedro Gomes da Silva.

 Como a proposta atingia três áreas, o futuro município teria o nome de Barra do rio Preto. As populações radicalizaram posições, quase sempre contrárias. Jornais locais, especialmente o Rio Pretano, abriram baterias contra, e o movimento ficou sem êxito.

 Outro movimento emancipacionista ocorreu em 1963. Esse pugnava pela emancipação de Areal e Bemposta, ocasião em que a legislação fazia mais e maiores exigências e impunha várias dificuldades à criação de municípios novos. Entretanto, o movimento se organizou e foram tomadas as medidas de dinamização e divulgação necessária. O grupo emancipacionista de 1963 contava com a liderança do Sr. Nelson Abdu, a quem será reservado lugar especial na história arealense pois, liderou, também, o movimento de 1990/91, este último, plenamente vitorioso. Com ele participaram os Srs. Octávio Quintella, Escobar Ribeiro Bravo, Valdyr Marinho Rego, Antão Barros de Oliveira e Newton Quintella. O movimento não prosperou mais que o possível, pois, com o advento da Resolução de 1964, o processo ficou sobrestado.

 Tempo decorrido, quase trinta anos, foram relembradas as duas tentativas anteriores para a emancipação de Areal. Um grande movimento começou a partir de 30 de novembro de 1990.

Em 10 de abril de 1992, cumprida todas as formalidades legais e constitucionais Areal estava juridicamente emancipado e declarado município novo, devendo continuar vinculado a Três Rios até 31 de dezembro de 1992, sendo, no período, realizada a campanha eleitoral e a eleição dos seus primeiros Vereadores, Prefeito e Vice- prefeito.

 

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